Antes de mais nada (e olha que eu odeio textos que começam com “antes de mais nada”), gostaria de deixar claro que minha pretensão com esse blog é tão somente relatar minhas experiências e ouvir as experiências das pessoas que andam passando pelo mesmo que eu. O que eu direi aqui não reflete a realidade de tooodas as pessoas do mundo, é só um diário que coloca pra fora as MINHAS angústias e experiências.
O FIM DE SEMANA.
Sim, o objetivo é ter um título impactante, chocante, que coloque medo nas pessoas e faça com que elas pensem duas vezes antes de continuar o texto. Acredito que todas as pessoas que possuem problemas alimentares tenho ódio do pobre fim de semana. Por quê?
Desde sempre, desde sempre mesmo, eu fui ensinada que no fim de semana era a época de se libertar. Que o sábado e domingo não são feitos pra ficar de dieta e contar calorias. São feitos pra enfiar o pé na jaca, encher a cara, se divertir com pizza e tudo que não presta. Afinal, quem não aprendeu assim, que levante a mão no meio da multidão porque eu honestamente não conheço um.
Pois bem, tudo bem até aí. Pras pessoas normais que se alimentam “bem” e não possuem problemas com peso e com a ingestão de alimentos pouco saudáveis, não tem problema fugir da regra uma ou duas vezes por semana. E pra quem sofre de algum transtorno alimentar ou coisa do tipo?
Como dito no começo do texto, vou contar meu caso. Sofro de compulsão alimentar há mais ou menos dez anos, mas me dei conta de que possuo um problema apenas de dois anos pra cá. E desde dois anos pra cá, tenho lutado contra isso com todas as forças, e me sentido mal com toda culpa que eu tenho, porque saber que existe um problema e não conseguir resolvê-lo, me soa como um sinal de fraqueza. E tenho certeza que alguém que lerá esse texto já se sentiu assim alguma vez.
Ontem foi um daqueles fins de semanas desastrosos. Meu café da mãe foi um pão francês com presunto e queijo, dois copos de nescau, daqueles de 300ml. A minha questão não é sentir fome. Na verdade, eu me sacio com pouca comida, o problema da minha compulsão não é a fome, é o comer. Com o primeiro copo de nescau, só com ele, eu teria me saciado, só que eu “precisava” comer, certo? E até aí, tudo bem. O dia começou mal mas eu me perdoei… Afinal, fins de semanas são assim mesmo. E eu não quero ser uma daquelas pessoas neuróticas que só come coisas com gosto de gesso velho porque QUER emagrecer a todo custo. Eu quero perder algum peso, sim, mas porque pretendo engravidar/ter um filho nos próximos 5 anos e não quero que ele tenha uma mãe descontrolada e deprimida. Enfim, prosseguindo com o relato.
E até aí, ainda tava tudo bem. O problema é que tomei café às 11 e às 13 já estava com fome. E isso começou a me deixar meio irritada… O problema continuou até a hora do almoço: estrogonofe de frango com batata palha. Existem poucas coisas que eu goste mais, e lá fui eu comer. Primeiro um prato discreto, pequeninho, que faria qualquer pessoa que passar por um problema desses morrer de orgulho e se inspirar em mim. E até aí, eu tava tranquila! E aí, quando fui à cozinha colocar o prato na pia, minha mãe e meu irmão (que são “magros”) estavam reunidos em volta da comida para um repeteco. E aí, comi outra vez, mesmo sem fome.
Eu não como muito, nunca comi. Fora os alimentos fora de hora, a mania horrível de beliscar comida e às vezes repetir, eu não tenho grandes problemas com a quantidade de comida, o problema é mesmo o que eu como. Meu domingo teria sido um dos domingos mais vitoriosos desde que eu decidi iniciar minha jornada, SE não fosse pelo fato d’eu ter passado a sexta e o sábado comendo SÓ besteira. Eu almocei besteira, passei de sexta até sábado comendo uma pizza enorme que eu comprei e ninguém comeu. Ou seja: como celebrar as pequenas vitórias se os erros do passado são tão recentes?
Acho que um dos meus maiores problemas com compulsão é deixar o que passou pra trás. Eu como mal na sexta, e por conta disso como mal no sábado, e por conta disso acho que comer bem no domingo é irrelevante, mesmo que eu consiga. Minha janta foi meio prato de sopa, meio misto quente e meio guaravita (copo de guaraná natural vendido no RJ que tem mais ou menos 90 calorias em cada 300ml e que eu adoro) e isso é muito menos do que eu costumo comer no domingo à noite. E você acha que eu fiquei feliz por isso? Não. O meio prato de sopa tinha me deixado satisfeita, então porque eu comi o maldito meio misto quente?
Só quando eu decidi me dedicar de verdade à superar essa compulsão que eu percebi, a passei a acompanhar as histórias de outras pessoas que também sofreram com isso, percebi o quanto é difícil e o quanto eu me depreciava por conquistas que a maioria das pessoas demoram muito pra atingir. Eu devia estar feliz, óbvio. Que tipo de pessoa que costuma comer até passar mal não ficaria feliz por ter força de vontade o suficiente para repetir o estrogonofe apenas uma vez e evitar o excesso o resto do dia? Não sei, mas não eu.
Hoje é segunda feira e decidi deixar o fim de semana pra trás, apesar de ter me sentido bem deprimida no domingo. Comecei o dia (às 17hs porque tive insônia e fui dormir por volta das 8) com um copo de diet shake e um pão francês com mortadela de frango, o que foi demais pra mim e me fez sentir mal estar pelo excesso de comida, DE NOVO. Não me senti feliz por esse “café da manhã”, mas tive que me contentar com ele porque o pão integral tinha acabado e eu não estava afim de comer becel, que é a margarina que eu geralmente consumo. Sem motivos, aliás.
O mais triste é saber que eu consegui tanto desde o começo, e apesar de enxergar isso, dou o mínimo de valor possível.
Fui dormir ontem decidida a voltar à academia, que abandonei há praticamente duas semanas atrás devido meu desânimo com meus poucos objetivos alcançados. E duvido que também vá hoje, porque ainda estou desanimada pelo fim de semana.
Que ciclozinho maldito, hein?
Sabe, dizem na física que um objeto tende a ficar parado ou permanecer em movimento até que uma força externa mude tal coisa. Acho que com hábitos e vícios é a mesma coisa, meu amor... E eu sei como é isso, acredite. É difícil quebrar o ciclo e dizer que hoje vai ser diferente, mas eu também sei a pessoa maravilhosa que você é e conheço melhor do que ninguém a sua força de vontade. Você tem perdido bastante peso, mas não é ai que a sua força de vontade aparece da melhor maneira possível. Acho que de todas as pessoas do mundo, você é a mais forte, porque você não desistiu do amor quando ninguém mais acreditaria nele e me faz o homem mais feliz do mundo... Eu sinto que não te apoio o suficiente com isso, mas de verdade, eu sei como é e eu sei como é horrível... Mas eu também sei que se tem alguém que é capaz de mudar a atitude é você. Então, meu amor, levanta dessa cadeira e vai lá na academia e faz a diferença hoje. E quebra o círculo em mil pedaços. Você pode fazer isso, porque já quebrou outros ciclos e quebra os meus ciclos ruins desde sempre. Você é uma inspiração e uma verdadeira heroína para mim...
ResponderExcluirEu te amo muito, tá? Sempre seu, Jú...
Força colega! A luta é eterna, somos humanos, cometemos erros, mas o importante é não desistirmos. Temos uma semana novinha em folha para acertamos e eliminarmos pelo menos alguns graminhas indesejáveis.
ResponderExcluirMuito chato essa coisa de ficar lidando com quilos e gramas, né? Aí você vê seu trabalho ali, seu esforço e suas fraquezas também! Mas eu tenho o resto da semana, depois o resto do mês e o resto da vida pra fazer as coisas certo. Muito obrigada pelo seu apoio! Fico feliz em saber que existem pessoas preocupadas em ajudar os outros, até o desconhecidos. Precisamos de mais gente assim no mundo! Beijos e boa lutra pra você também!
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